Eu vejo sua vida, vejo e percebo seus dias, eu os sinto e os questiono, guio-os, eu participo das ideias e ideais.

Domingo, 16h, estou sem você, porque não posso estar aí, participando, mas não te tenho aqui porque não me vês ou me sentes. Porque não me questiona ou guia. Eu te vejo, sinto e aprecio, mas não me aprecias.

Meus pensamentos são apenas meus e nem sequer sabes que existem, porque não te interessam, não te movem, não te incomodam.

E assim, noto que eu te tenho, sei como és e o que és, enquanto o meu eu morre. Eu, única que dei atenção e alimentei, fiz questão que sobrevivesse mesmo que não apreciada ou sabida de si.

Exercito a mente aos poucos, para que o cimento da cidade e de teu coração não a atrofie mais. Para que a frialdade indefectível de tua alma não se aperceba desses atos não feitos. E assim, eu possa te dizer onde me faltas, pois nem meu nome sabes.

Hoje, eu estou sem você, mas você nunca me teve.