No último final de semana resolvi assistir “Capote”, direção de Bennett Miller.
Acho que tenho um pouco a dizer sobre este filme, mesmo arriscando minha cabeça, pois tenho uma amiga que escreve maravilhosamente sobre e pode muito bem cortar minhas asas nesse vôo arriscado. Mas enfim, darei a cara a tapas… (e me lembrarei de não emprestar o filme para ela…)
Mesmo não tendo lido “A sangue frio” – vontade não faltou – decidi de uma vez assistir esse filme que mora comigo há meses. Gostei. Realmente retrata a forma e as atitudes exóticas do jornalista, uma modo de ser afetado e artificial, na hora pensei: essa personalidade tem a mesma profissão que eu…e aí não soube mais o que pensar…rs
Enfim, de uma forma geral, o filme é bom, entendi o que o personagem passou para finalizar o livro etc e tal… Filme de diálogos curtos e muitos olhares, poucas explicações e muitos sentidos.
Nota-se a ligação que o jornalista tinha pelo assassino, as características semelhantes da infância, embora a crueldade e a indiferença falassem mais alto nos encontros pessoais e, no livro.
Mesmo com esses pontos essenciais para entender o período de escrita do livro, creio que o diretor podia ter acentuado mais e melhor a depressão sentida por Truman quando escrevia a metade do livro. A personalidade de Truman já era afetada, e a depressão mostrada no filme não despertou o que, no meu ponto de vista, deveria, que era demonstrar, nos fazer sentir o nível de debilidade e abatimento que o assassinato da família causou nele e o nível de dissimulação que foi a ligação com o assassino que, no fim, ele não pensou em salvar.
Posso estar falando besteira, mas para um filme que mostra o período de escrita de um livro que mudou toda uma forma de escrever e reforçou a introdução do jornalismo literário, infelizmente pra mim faltou algo, faltaram alguns meros detalhes que deixaram de ser aproveitados pelo diretor… Arrisco dizer que o essencial do que ele sentia, morreu no modo frio de ser do personagem e de ver o mundo e as coisas ao seu redor…